ALCOOLISMO, armadilhas de um vício romantizado

O consumo de álcool continua sendo aceito, mas é bem devastador

Por Camilly Oliveira

O álcool destrói vidas e corrói a estrutura da sociedade, mascarado pelo discurso de celebração e liberdade. A publicidade sedutora, rituais sociais e a conveniência do Estado pavimentam a estrada de tijolos amarelos de um vício disfarçado de descontração.

 

Os jovens, alvo principal da indústria, são empurrados ao consumo cada vez mais cedo. A PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) mostra que a experimentação alcoólica entre adolescentes no Brasil saltou de 52,9% para 63,2% entre 2012 e 2019. Em paralelo, o Relatório Vigitel 2023 do Ministério da Saúde revela que 20,8% da população já bebem em excesso.

 

O álcool é uma das poucas drogas cuja dependência ainda é romantizada. Se por um lado há um movimento de moderação, impulsionado por estéticas de bem-estar, por outro milhões afundam na compulsão. Para um alcoólatra, não há equilíbrio, muito menos controle. O único caminho é a abstinência, enfrentando uma batalha solitária contra a memória do vício.

 

A recaída é tratada como falha moral e não como sintoma de uma doença negligenciada. A sociedade ridiculariza o dependente e ignora os sinais, perpetuando um ciclo de destruição que poderia ser evitado com informação e políticas públicas sérias.

 

Indústrias bilionárias seguem lucrando com esta tragédia, explorando o vício com campanhas publicitárias. Apenas em 2023, o setor de bebidas alcoólicas faturou mais de R$ 200 bilhões no Brasil. O alcoolismo não é uma escolha individual, mas um problema social mantido por interesses econômicos e alimentado por uma legislação permissiva.

 

O silêncio e a banalização matam tanto quanto a própria substância. O álcool, travestido de símbolo de diversão e status, continua sendo a droga mais aceita e, paradoxalmente, das mais devastadoras.