Prédios vazios e ruas cheias
No Brasil, há mais imóveis do que pessoas para morar, enquanto a população em situação de rua bate recordes. O paradoxo é cruel: prédios e casas vazias contrastam com 281 mil pessoas dormindo ao relento. A especulação imobiliária transforma moradia em mercadoria, excluindo milhões do direito básico de ter um teto.
Por Camilly Oliveira
No Brasil, há mais imóveis do que pessoas para morar, enquanto a população em situação de rua bate recordes. O paradoxo é cruel: prédios e casas vazias contrastam com 281 mil pessoas dormindo ao relento. A especulação imobiliária transforma moradia em mercadoria, excluindo milhões do direito básico de ter um teto.
Estudo da WRI Brasil mostra que, de 1993 a 2020, o número de imóveis cresceu mais do que a população. São Paulo e Rio de Janeiro lideram a verticalização, mas, paradoxalmente, a população está estagnada ou em baixa. Enquanto isto, periferias e cidades menores se expandem horizontalmente, em periferias, sem infraestrutura adequada.
A contradição escancara o modelo de desenvolvimento de exclusão. Imóveis vazios acumulam valor para investidores, mas não resolvem a crise habitacional. Políticas públicas ineficazes perpetuam o déficit de moradia e o avanço da desigualdade. A cidade cresce para poucos, enquanto muitos nem sequer têm onde dormir.