Representatividade sem poder é farsa

A elite que detém o poder sempre teve cor no Brasil. Durante séculos, indígenas e negros foram apagados dos cargos de decisão, enquanto brancos ricos ocupam as estruturas do Estado. O avanço para 39% de participação negra e indígena no Executivo expõe o que sempre foi óbvio: o Brasil racista nunca abriu espaços, precisou ser pressionado a mudar. 

Por Camilly Oliveira

A elite que detém o poder sempre teve cor no Brasil. Durante séculos, indígenas e negros foram apagados dos cargos de decisão, enquanto brancos ricos ocupam as estruturas do Estado. O avanço para 39% de participação negra e indígena no Executivo expõe o que sempre foi óbvio: o Brasil racista nunca abriu espaços, precisou ser pressionado a mudar. 

 


Mesmo com certo progresso, a cúpula do poder segue controlada por uma minoria branca que decide os rumos de um país majoritariamente negro e mestiço.

 


Dados do estudo "Lideranças Negras no Estado Brasileiro" mostram um crescimento expressivo nos últimos 25 anos, mas o topo da hierarquia continua sendo branco. 

 


Homens negros e indígenas ocupam 24% das lideranças, mulheres negras e indígenas, 15%. Enquanto isto, homens brancos ainda detêm 35% dos cargos, apesar de serem apenas 20% da população. Os ministérios sociais concentram as lideranças negras e indígenas, mas nas áreas estratégicas, como Relações Exteriores e Economia, o comando segue inalterado: brancos ricos.

 


A ilusão da inclusão não esconde a desigualdade estrutural. O avanço foi fruto de cotas, decretos e lutas, não da boa vontade das elites. Sem ações afirmativas ainda mais agressivas, o Brasil seguirá sendo um país onde a cor define o destino. Distribuir migalhas não é equidade.