A responsabilidade dos gestores no assédio sexual
De acordo com o estudo, que entrevistou 283 líderes de diversos setores no Brasil, em maio do ano passado, a gravidade do assédio sexual impactou diretamente na decisão dos gestores no encaminhamento das denúncias.
Por Ana Beatriz Leal
Por conta de fatores sociais, culturais e legais, inegavelmente, as denúncias de assédio sexual no trabalho aumentaram no Brasil. Mas, nem todas as gestões das empresas estão preparadas para lidar com os casos com a seriedade e responsabilidade que impõem. É o que revela pesquisa desenvolvida conjuntamente pelo Talenses Group, Insper e a consultoria Think Eva.
De acordo com o estudo, que entrevistou 283 líderes de diversos setores no Brasil, em maio do ano passado, a gravidade do assédio sexual impactou diretamente na decisão dos gestores no encaminhamento das denúncias.
Outro fator observado é o clima organizacional ético. O conceito se refere à percepção dos trabalhadores em relação ao que é permitido, proibido ou exigido em termos de conduta moral na empresa. Além disto, um dos principais fatores que perpetuam o ciclo do abuso é a falta de apoio gerencial.
As denúncias mais graves e, portanto, mais suscetíveis a serem encaminhadas pelas lideranças envolvem contato físico não consentido, solicitações de favores sexuais e ameaças ou chantagens para obter promoções ou manter o emprego.
Já os episódios com menor intenção de encaminhamento para o setor responsável pela denúncia, como RH, são as insinuações veladas ou comentários inadequados.
Denunciar o assédio sexual, alimentado pela cultura machista, é importante para romper o ciclo de violência. A tendência é de crescimento. O número de ações desta natureza na Justiça do Trabalho aumentou 35% entre 2023 e 2024, saindo de 6,3 mil para 8,6 mil.