Brasil é líder em fake news sobre autismo
O país lidera tanto em números de conteúdos quanto no volume de usuários alcançados. As comunidades brasileiras foram responsáveis por 48% das publicações sobre autismo no continente, com mais de 10,5 mil conteúdos que atingiu quase 2 milhões de usuários, resultando em quase 14 milhões de visualizações.
Por Angélica Alves
A ascensão de movimentos extremistas e individualistas, como os de extrema-direita, que desincentiva a confiança nas instituições e rejeita o conhecimento cientifíco, faz com que a desinformação alcance todos os assuntos, inclusive sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista).
A pesquisa do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em parceria com a Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas aponta que a desinformação sobre esse tipo de transtorno teve um salto acelerado de 15.000%, ou seja, mais de 150 vezes, nos últimos cinco anos em comunidades do Telegram da América Latina e Caribe. O Brasil é líder no ranking.
O país lidera tanto em números de conteúdos quanto no volume de usuários alcançados. As comunidades brasileiras foram responsáveis por 48% das publicações sobre autismo no continente, com mais de 10,5 mil conteúdos que atingiu quase 2 milhões de usuários, resultando em quase 14 milhões de visualizações.
Entre as causas mentirosas estão explicações absurdas como consumos de Doritos, influência do WI-FI e do 5G, efeitos colaterais de vacinas e inversão do campo magnético da Terra. Já as falsas curas, que podem prejudicar a saúde, indicam uso de CDS (Dióxido de Cloro), ozonioterapia e a ingestão de azul de metileno.
O prejuízo da propagação destas informações falsas vai muito além do mundo digital, acaba incentivando o preconceito contra as pessoas que têm TEA. Uma ação assustadora, perigosa e desumana.