Entrevista

Brasil vive subversão da ordem

Postado dia: 12/07/2017 - 10:35

Para o ex-governador da Bahia e atual secretário de desenvolvimento econômico, Jaques Wagner, o Brasil vive um período de subversão da ordem, onde o Judiciário e o Ministério Público Federal prevalecem sobre a política brasileira. Em entrevista exclusiva ao jornal O Bancário, Wagner diz ainda que tirar Temer para colocar outro no lugar, sem a vontade popular, é trocar seis por meia dúzia. Por isso, a saída dele deve vir conjugada com a antecipação das eleições. “É a única forma regular de se eleger um presidente da República”.

Por Rafael Barreto

O Bancário: Com a experiência de quem já foi ministro, governador e deputado, o senhor acha que Temer cai ou não cai?
Jaques Wagner:
Eu não quero fazer um prognóstico. Acho que a situação dele é muito difícil. Se ele for condenado dentro da lei pelo Supremo e ficar comprovada sua culpa, ele perde total sentido de permanecer na presidência. Agora, o que eu tenho chamado à atenção, seja que nome for, sair ele e colocar outro sem voto popular, isso não vai resolver a crise política do país. Se for para tirar ele, para colocar outro, dentro de um colégio eleitoral ilegítimo, é trocar seis por meia dúzia. Nós não temos de comemorar a saída de Temer, se for para a política do país se tornar apenas um tira e bota. Isso gera uma instabilidade política tremenda. Então, se você me perguntar, se ele deve ficar, não. Ele nem tinha que ter sentado na cadeira. Porque ele sentou na cadeira de uma forma irregular.

O Bancário: Então, qual é a saída?
Jaques Wagner:
Na minha opinião, a saída dele tinha que estar conjugada com uma emenda constitucional de antecipação das eleições. É a única forma regular de se eleger um presidente da República, que se chama voto direto da população. Então, para mim, a saída dele tem de estar combinada com uma PEC de antecipação das eleições, para este ano ainda. É a única forma de repor o caminho da constitucionalidade brasileira.

O Bancário: Na opinião do senhor, o Brasil vive um Estado de exceção?
Jaques Wagner:
É exceção dentro da regra. Tem uma formalidade democrática, mas tem um abuso de interpretação da norma onde está sucumbindo a política e está prevalecendo as instituições como o Judiciário e o Ministério Público Federal. Isso, para mim, é uma subversão da ordem. Eles estão fazendo de tudo dentro de uma aparente legalidade. Na minha opinião, é pior do que outras, porque antes as pessoas governavam porque queriam governar. Hoje, eles governam sem dizer que querem.