Entrevista

Cultura secundarizada

Postado dia: 30/05/2016 - 08:40

A extinção do Ministério da Cultura, proposta pelo governo Temer, coloca o setor em segundo plano. A opinião é do forrozeiro Adelmário Coelho, atração pelo segundo ano consecutivo do Forró dos Bancários, sábado, em Buraquinho. Para o cantor, que tem mais de 20 de carreira, a crise financeira internacional acerta em cheio o setor musical. O reflexo pode ser sentido na redução do São João na Bahia. 
 
O Bancário: Este é o segundo ano consecutivo que você se apresenta no Forró dos Bancários. Qual a sensação que ficou da edição do ano passado?
 
Adelmário Coelho: É um encontro tão especial. Todos que participaram no ano passado do Forró dos Bancários, que já tem uma tradição, me receberam com um carinho e um calor humano extraordinários. Fiquei tão feliz. É uma honra poder voltar para levar o novo show para essas pessoas que, com certeza, admiram a cultura popular nordestina. Não é à toa que o projeto Forró dos Bancários se sustenta ao longo dos anos, com a presença de toda a categoria. 
 
O Bancário: Tem novidades para este ano?
 
AC: Uma coisa é essencial. No show não pode faltar alegria. As pessoas estão indo para se divertir. Temos essa responsabilidade no palco. Além do lançamento da canção nova [A gente sabe que é amor], o show tem também uma renovação de até 50% do repertório. Esperamos que os bancários gostem do nosso segundo encontro. 
 
O Bancário: Como a crise financeira internacional, que afeta drasticamente o Brasil, tem repercutido no mercado da música?
 
AC: A crise acerta em cheio o setor musical. Atinge diretamente a cultura. Se não tivermos uma pessoa que tenha muita sensibilidade com o trato cultural teremos um desastre. Fiquei muito triste com a extinção do Ministério da Cultura. A hierarquia tem um poder muito grande. Você tira o poder do MinC, que tem uma voz mais forte perante outras instâncias, e coloca em um plano secundário. Eu acho que é um retrocesso muito grande. A gente não esperava isso. 
 
O Bancário: As festas de São João têm diminuído de tamanho na Bahia? 
 
AC: Hoje existe a redução dos calendários de eventos que acontecem no país. Quem tinha um cronograma de 10 dias passou para quatro. Uma perda para os profissionais que vivem do ofício. Há uma pesquisa do governo da Bahia que diz que, economicamente, São João só perde para o Natal. Ou seja, é uma geração de oportunidades. Quando a festa é atingida com a crise, perde todo mundo. Perde quem vive diretamente da música. É um efeito dominó. 
 
O Bancário: Qual o Estado do Nordeste onde a crise mais atingiu o São João
 
AC: Eu diria sem medo de errar que todas os Estados fizeram restrições. Pode-se observar a Paraíba, o São João de Campina Grande, Caruaru, Aracaju, que são três praças que também fazem grandes eventos. Há uma retração cronológica nos eventos. Quando não está reduzido no calendário, o São João diminui em cachê, valores. Afeta todo mundo de forma bem forte.