Entrevista

Democratizar é o caminho natural

Postado dia: 26/11/2014 - 09:19

Por Rafael Barreto

Mais apoio popular. É o defende a jornalista, diretora da Fenaj (Federação Nacional de Jornalismo) e presidente do Sinjorba (Sindicato dos Jornalistas da Bahia), Marjorie Moura, para que o país avance no debate sobre a democratização da comunicação.
 
O Bancário – O que é democratizar a informação no Brasil? 

Marjorie Moura: É o caminho natural de qualquer sociedade. Todos devem ter o direito de informação. Ou seja, tanto empresários quanto o Movimento dos Sem-Terra devem ter o direito de informar a população. Atualmente, o que acontece é que as grandes empresas procuram as fontes que lhe interessam e centralizam a informação. Se você analisar rapidamente os meios, você enxerga facilmente as tendências que estão escritas ali. Isso não é jornalismo. É a visão empresarial de uma empresa de comunicação.
 
O Bancário - Que avaliação você faz da mídia brasileira, sem qualquer regulamentação?  

MM: A comunicação vive um processo de libertinagem, e não de liberdade. As empresas fazem o que querem com a informação e não há regulação porque o Congresso, que tem muitos parlamentares donos de empresas, não aprova as medidas. Nunca houve regulamentação de fato da mídia no Brasil. Quem controla os meios são as empresas de comunicação e não a própria sociedade, que deveria regular. E quando há intenção para isso, os grandes meios começam a tratar como censura, o que não é verdade. 
 
O Bancário - Como defender democratização da comunicação se mais de 80% das receitas dos veículos, principalmente os grandes meios que controlam e manipulam a informação, vêm do setor público?
 
MM: Os avanços no Brasil sempre vieram aos trancos e barrancos e com muita pressão popular, vide a Lei da Ficha Limpa. Quando a população entender que a comunicação perpassa e tem influência em diversos setores da sociedade, haverá uma tomada de posição maior, o que vai pressionar as esferas de poder. Até lá, o enfrentamento direto fica realmente muito difícil. 
    
O Bancário - Na eleição presidencial de 2014, a mídia agiu como partido político. Qual é o posicionamento mais saudável para a sociedade. A mídia tomando partido oficialmente ou ficando neutra? 

MM: Não precisa ter uma posição necessariamente. Mas nós defendemos que os meios têm de ter uma linha editorial bastante clara. Se um veículo tem uma visão conservadora, tem de deixar isso evidente para a população. Porque, até na hora de costurar as perguntas de uma entrevista, os meios têm sido tendenciosos.
 
O Bancário - Podemos afirmar que as redes sociais é o começo do fim dos monopólios da mídia?

MM: Eu não acredito que as redes sociais possam ser a solução porque nas redes, não há o contraditório. O que é interessante é que esse fenômeno serve como maior disseminador de informação. Porém, isso é questionável porque nas redes sociais não existe ética da informação, se a informação é correta e se há a busca pelas fontes corretas. São pessoas que utilizam das redes para se expressarem e opinarem como um diário, para uma quantidade específica de grupos.