Entrevista

Vamos avançar ainda mais na luta

Postado dia: 03/06/2014 - 09:34

Na entrevista de final de mandato, o presidente do Sindicato, Euclides Fagundes, faz um breve relato sobre os recentes avanços da entidade, o legado de gestões anteriores e fala sobre a expectativa para a nova gestão.
 
O Bancário – Às vésperas de deixar a presidência e com a experiência de quatro mandatos, que mensagem você tem para a categoria bancária? 
 
Euclides Fagundes – Em primeiro lugar, quero agradecer, em nome de toda a diretoria, a confiança dos bancários e bancárias, que deram à nossa chapa uma vitória com 83% dos votos, e com expressiva votação em todos os segmentos da categoria ativa, aposentados e os afastados. Podem ter certeza de que continuaremos correspondendo a esse apoio e confiança.
 
O Bancário – O que você destacaria como realizações do Sindicato? Dá pra fazer um balanço das lutas e da atuação nesse período?
 
EF – O Sindicato tem tradição de lutas – na Bahia e no Brasil –, que é destaque pela combatividade da direção e participação da categoria. A marca principal de vitórias é a unidade dos diversos segmentos que defendemos e que procuramos respeitar as diferenças e divergências nas negociações específicas. Tivemos, nos últimos anos, aumento real de salários, embora não corresponda ainda ao que almejamos. Novas cláusulas foram conquistadas. Somos a categoria que negocia, faz greve e tem acordo nacional, por isso a unidade é mais importante. Outro ponto a destacar é a participação crescente das mulheres no mercado de trabalho. Hoje, 48% da força de trabalho no setor bancário é composta por mulheres. E elas tem participado ativamente das lutas da categoria e com maior destaque ainda nas jornadas do 8 de março – Dia Internacional da Mulher -, e nas campanhas dos 16 Dias de Ativismo no enfrentamento à violência.
 
O Bancário – Por falar em campanha, tem crescido também a organização nas campanhas salariais?
 
EF – Sem dúvida. Realizamos, todo ano, encontros regionais em todo o estado, abrangendo a base do Sindicato, que compreende mais de 300 municípios. Mesmo fora da campanha salarial, o Sindicato tem marcado presença no interior, com visitas permanentes dos diretores. Em Salvador e Região Metropolitana, fizemos mais de 200 manifestações nos locais de trabalho, levando para as agências atividades com teatro, bandinha de música, faixas, cartazes, com temas importantes para os bancários e também para os clientes, como segurança, combate à violência, saúde, assédio. Nós fazemos parte do Comando unificado dos bancários que negocia com a Fenaban e, depois do Encontro Nacional, os rumos da campanha são definidos, aqui, nas assembleias. 
 
O Bancário – E tem situações em que o Sindicato também recorre à Justiça. Como tem sido essa luta no terreno jurídico?
 
EF – O nosso Departamento Jurídico recebe atenção especial. Temos ações importantes, tanto coletivas como individuais. Tem ação que tramita há 26 anos, como é o caso da equiparação do BNB ao BB, e que esperamos um desfecho positivo em breve. Tem também processos contra o Bradesco, principalmente de ex-funcionários do Baneb, que tiveram perdas na incorporação do banco, quando o Bradesco excluiu direitos. E já tivemos grandes vitórias, como foi, por exemplo, no BB a questão da ADI (Adicional por Dedicação Integral), concluída em 2007, que beneficiou quase quatro mil funcionários, envolvendo um montante de mais de R$ 30 milhões, negociados com o banco pelo Sindicato. Também no BB tem a ação do anuênio, que já foi parcialmente pago para os incontroversos.
 
O Bancário – Já que falamos da luta jurídica, o Sindicato acaba de inaugurar novas instalações do departamento. O que foi feito?
 
EF – Terminamos de fazer uma reforma completa, para dar mais conforto aos bancários, no atendimento, e também melhores condições de trabalho aos funcionários. A reforma do Jurídico foi mais uma etapa de uma série de melhoramentos e ampliações que fizemos na sede. Melhoramos também os espaços internos para o trabalho dos diretores, ampliamos o setor de Comunicação com a construção de um estúdio para web TV. No final de 2013, inauguramos o Centro de Documentação e Memória Raymundo Reis, que reúne um grande acervo sobre a história de lutas dos trabalhadores, disponível para pesquisa de estudantes, pesquisadores, professores e a toda a comunidade. Também ampliamos o Espaço Cultural Raul Seixas, centralizamos a Gráfica dos Bancários em um imóvel independente, próximo à sede, com instalações adequadas ao seu melhor funcionamento. Lembrando ainda a manutenção permanente do Ginásio de Esportes e da Colônia de Férias. Temos trabalhado para melhorar sempre o atendimento à categoria. É preciso dizer que tudo é feito preservando o equilíbrio financeiro da entidade, com o envolvimento de toda a diretoria, sempre com zelo pelo patrimônio, transparência e lisura. Em nossa visão, os gastos com melhorias não são despesas, mas investimentos na luta.
 
O Bancário – Antes da sua primeira gestão, Álvaro Gomes e Everaldo Augusto presidiram a entidade. Você gostaria de relembrar ou destacar algo desses legados?
 
EF – Foram gestões vitoriosas, de grandes realizações e avanços para a categoria. Por isso, foi ainda maior a responsabilidade da nossa gestão. Foi um período de grandes transformações sociais e tecnológicas, mas soubemos enfrentar e adequar as lutas da categoria aos novos desafios. Experimentamos muitas mudanças, por exemplo, na defesa da saúde da categoria, que sofreu transformações profundas com a implantação das novas tecnologias. Eu destaco especialmente os avanços nas estratégias de comunicação do Sindicato, que se tornaram referência para o movimento sindical nacional. Temos hoje o jornal O Bancário, orgulho da diretoria que, em dezembro, completa 25 anos de edição diária. Além de informar, o jornal cumpre um importante papel de mobilização e formador da consciência política da categoria. Outro contraponto à hegemonia dos grandes veículos da mídia é o programa Agência Cidadania, que há 14 anos está no ar, numa parceria vitoriosa com a TV Band Bahia, e que agora vai se ampliar com o avanço da web TV.
 
O Bancário – E qual a expectativa a partir de agora, da renovação que está sendo apontada para a gestão do Sindicato?
 
EF – Depois de dois mandatos como presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, mais dois como vice, e dos quatro mandatos como presidente do Sindicato, acumulei uma boa experiência a serviço da categoria. Agora, na vice-presidência, continuarei contribuindo com a luta na gestão do novo presidente Augusto Vasconcelos. O Augusto é jovem, mas também tem experiência na luta sindical e, tenho certeza, tem capacidade para conduzir bem a gestão do Sindicato. A expectativa é muito positiva e será uma diretoria que vai aliar renovação com experiência. Vamos avançar ainda mais na luta.