Entrevista

Informações são deturpadas

Postado dia: 27/03/2014 - 13:30

Preocupado com as novas gerações e com as deturpações produzidas pela grande mídia sobre a ditadura militar (1964-1985). Este é Haroldo Lima, militante político e ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo. Presente ao 3º Fórum do Pensamento Crítico, Haroldo se mostra favorável aos debates de rememoração aos 50 anos do golpe militar e fala que ainda é preciso aprofundar na democracia. 
 
O Bancário - Qual a relevância para o futuro do país de debates como esse em rememoração aos 50 anos da ditadura militar?  
 
Haroldo Lima - É muito importante para trazer à tona a história dos nossos heróis. Muita gente lutou bravamente, se sacrificou, morreu e foi torturado durante a ditadura. As novas gerações precisam conhecer o passado glorioso para o nosso povo. Hoje em dia, a população é alvo fácil de deturpações sobre a história da ditadura militar. É preciso saber que foi, de fato, uma ditadura, não uma “ditabranda” ou um regime de plenos poderes.  Por 21 anos, o povo não pôde eleger um presidente da República, foram desmanchados os poderes Judiciários e Legislativos, acabaram com as eleições, e isto é real. 
 
O Bancário Então, a ditadura deve ser chamada apenas de ditadura militar, e não civil militar?
 
HA – Chamar a ditadura de civil militar é dividir a culpa da ditadura com os civis. Nós não tivemos culpa alguma. Não quer dizer que muitos apoiaram isso. Foram para as ruas, bateram palmas e puxaram o saco dos generais. Isto aconteceu. Mas não era ditadura civil. Eram alguns civis que apoiaram a ditadura dos militares. Tanto que todos os presidentes da ditadura foram generais, todos os vice-presidentes foram generais. Um ou outro que era civil estava ali para fazer uma espécie de fantasia, eles não participavam. Um exemplo disso foi quando o general Costa e Silva adoeceu e o vice, Pedro Aleixo, que era civil, não assumiu. Imediatamente os generais entraram em cena e cobriram aquela brecha. 
 
O BancárioO tema do 3º Fórum do Pensamento Crítico é autoritarismo e democracia na Bahia e no Brasil de 1964-2014. À época da ditadura, a luta estava concentrada em favor da democracia contra a repressão e censura dos milicos. E atualmente? Onde lutar pela democracia?
 
HA – Hoje, não há autoritarismo no governo. O governo foi eleito pelo povo e as leis do país estão sendo respeitadas. Quanto a isso, não há dúvidas. Mas, nós temos de aprofundar a democracia. Nós não podemos nos acomodar com as conquistas feitas. Por exemplo, esta democracia que está aí se apóia num sistema eleitoral que é todo comandado pelo grande capital. O dinheiro e o negócio privado é que comandam as eleições no Brasil. As empresas investem milhões de reais nas campanhas. Esta é a lei que temos de mudar. Mudar o sistema eleitoral é, em minha opinião, uma das questões básicas. Acho que nós temos que caminhar para o financiamento público das campanhas, o que significa um aprofundamento da democracia em nosso país.