Entrevista

O novo sindicalismo

Postado dia: 06/04/2009 - 11:15

Nesse contexto de mudanças no movimento sindical como está hoje a organização dos trabalhadores?
Pascoal Carneiro – Os trabalhadores do Brasil e o movimento sindical passaram por uma estruturação na sua forma de pensar e lutar, isso porque nós somos seres atuantes no meio social e as políticas apresentadas pelos governos atingem o movimento sindical. Nós tivemos um período de política neoliberal e de regulamentação da economia que gerou um problema sério para o movimento sindical, nós ficamos meio que atordoados e anestesiados. Os anos 80 e os anos 90 foram difíceis para o movimento sindical, o que levou a corrente classista a buscar pensar que os trabalhadores não poderiam ficar anestesiados e que teriam de sair da toca e ir à luta.
 
Foi o que gerou o rompimento com a CUT e a criação de uma nova Central?
PC - Nós atuávamos dentro da CUT e passamos a criticar as políticas comodistas que a CUT estava tendo no Brasil. A partir do Governo Lula a CUT mudou, confundiu o que é o movimento classista e o Governo. A CUT pensava que os trabalhadores já estavam no poder e, portanto, não precisava mais fazer luta, fazia as coisas muito combinadas com o Governo. Foi o que nos levou a pensar em sair da CUT. Nós saímos da CUT e fundamos a CTB em novembro de 2007.
 
O que mudou desde a fundação da CTB?
PC - A CTB é hoje uma Central reconhecida legalmente. É uma entidade de organização dos trabalhadores que busca trazer uma política classista para os próprios trabalhadores. Isso deu uma injeção de ânimo ao movimento sindical. A partir da fundação da CTB nós propusemos algumas políticas de organização e estruturação sindical, entre elas a criação do Fórum das Centrais Sindicais, que é um organismo onde reúne todas as seis centrais sindicais reconhecidas no Brasil para discutir políticas, mobilizações ou atos conjuntos para a defesa dos trabalhadores. A criação da CTB de certa forma trouxe unidade e ação para as centrais sindicais. Isso vem dando certo, estamos conseguindo mobilizar o Brasil inteiro contra a crise e contra o desemprego.
 
A CTB abriu o diálogo entre as centrais e com a sociedade?
PC - A CTB termina sendo o pólo para dialogar com as centrais sindicais e com outros setores da sociedade e com o movimento sindical em outros países. No ano passado fizemos, inclusive, no Equador o Encontro Nossa América que reunimos representantes de todas as centrais da América Latina. Em setembro deste ano vamos fazer uma reprodução desse evento aqui no Brasil, em São Paulo, na véspera do congresso nacional da CTB, devem participar em torno de 30 centrais sindicais da América. O congresso nacional vai ser de 24 a 26 de setembro, nós pretendemos ter só do Brasil 1.500 delegados e delegadas, além dos observadores internacionais. Com o slogan “Unidade para Enfrentar a Crise”, o congresso vai focar no Crescimento econômico com distribuição de renda e valorização do trabalho, além de defender a unidade sindical.
 
Hoje qual a estrutura CTB, que em pouco tempo já se tornou tão grande?
PC - No ano passado nós fomos reconhecidos pelo ministério do trabalho com 174 sindicatos filiados. Hoje nos estamos no Ministério do Trabalho com 300 sindicatos filiados e tem 247 filiados a CTB que ainda vão dar entrada no Ministério do Trabalho. No entanto nós temos hoje 547 sindicatos filiados a CTB, isso é uma situação inusitada no movimento sindical. Nunca teve uma central sindical no Brasil com tão pouco tempo de fundada ter tantos sindicatos filiados, isso mostra a política acertada da CTB. Uma das propostas nossa é construir no Brasil um CONCLAV, ou seja, um Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras onde participem todas as centrais sindicais para debater os rumos do movimento sindical. Isso significa que as centrais sindicais se tornam uma central só no Brasil ou no mínino a gente tira políticas unificadas para as centrais atuarem contra o capital e contra a ganância das grandes multinacionais e em defesa do patrimônio nacional. Essa política nos ajuda a dialogar com um setor aqui no Brasil que nenhuma outra central tem discutido isso, que são chamadas as confederações oficiais criadas, chamada Fórum sindical dos trabalhadores e a CTB tem acento nesse fórum, participa e debate políticas e encaminhamento das propostas de interesse dos trabalhadores. Então, a CTB unifica as centrais, os fóruns sindicais dos trabalhadores que são as confederações e busca trabalhar junto com os movimentos sociais.
 
Foi o que levou a Contag a se aproximar da CTB?
PC - Isso tudo leva a uma compreensão do movimento sindical aqui no Brasil de enxergar a importância da CTB e de buscar a filiação. Não é a toa que no 10º congresso da Contag nó conseguimos com uma proposta muito bem trabalhada com os delegados desfiliar a Contag da CUT. Por entender que uma confederação como a Contag, a maior confederação de trabalhadores do mundo, tem de ficar junta com as centrais sindicais, elaborando, construindo e propondo política organizativa para os trabalhadores no campo enfrentar hoje no Brasil a falta de política de reforma agrária e de política agrícola para os povos. Nesse sentido, a CTB conseguiu unificar todos os trabalhadores rurais na proposta de unicidade sindical contra política da CUT de pluralismo sindical.
 
Essa conquista é resultado da atuação da CTB no campo?
PC - É uma grande vitória para o movimento sindical. Hoje a CTB tem 7 federações de trabalhadores rurais, que são as maiores federações do Brasil. O presidente da Contag hoje é da Federação dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Sul, que é filiada a CTB. Nós vamos buscar trabalhar com a Contag respeitando as decisões e deliberações, não impondo posições nossas porque é errado fazer isso. Com isso tem a ganhar os trabalhadores do campo e o movimento sindical, essa é a compreensão. Nós pretendemos ter uma política de nos aproximar mais dos trabalhadores rurais e buscar filiar cada vez mais sindicatos e federações, porque são 4 mil sindicatos rurais no Brasil inteiro, desse total nós temos em torno de 300 e pretendemos chegar a 800 sindicatos, que é uma meta muito ousada. Para se ter uma idéia, a CUT tem 26 anos e tem cerca de 450 sindicatos de trabalhadores rurais filiados. Nós dizemos que é uma central jovem com idéias presentes, forte e com o coração aberto para tentar namoro e casamento com todos os sindicatos do Brasil.
 
A CTB é forte na Bahia, inclusive já é mais atuante do que a CUT?
PC - Nós somos a maior central sindical aqui na Bahia, temos 245 sindicatos filiados, quase metade dos sindicatos filiados a CTB vem da Bahia. Aqui nós dirigimos todos os grandes sindicatos. Além disso, dos 380 sindicatos dos trabalhadores rurais que têm na Bahia, a nossa meta é chegar a 250, temos condição e já temos pedidos de filiação. Não aceitamos ainda porque está dependendo de informações e documentos. É um número muito alto. Na área urbana dirigimos os bancários, metalúrgicos, APLB, Construção Civil, Sindicato dos médicos e outros grandes sindicatos, é por isso que nas grandes mobilizações é a CTB que está na frente.