Entrevista

Os trabalhadores precisam participar

Postado dia: 03/08/2009 - 17:58

Por Maiana Brito


O Bancário – O que mudou para os trabalhadores a partir de 2003, com a eleição de Lula para presidente?
 
Marcos Verlaine – Muita coisa mudou. A questão da relação do debate político, das demandas dos trabalhadores em relação às questões apresentadas pelo governo, às políticas públicas desenvolvidas pelo governo. Então, mudamos, praticamente, da água para o vinho no movimento sindical. As lutas dos trabalhadores não são mais tão criminalizadas como eram antes. Então, houve uma mudança substantiva nesta relação entre os trabalhadores e o governo federal.
 
O Bancário – Qual a expectativa? O que os trabalhadores podem esperar em termos de mudanças?
 
MV – As mudanças dependem, sobretudo, dos trabalhadores. É fundamental que eles compreendam isso. É uma relação quase unilateral. Não haverá mudança sem a participação efetiva dos trabalhadores, das centrais sindicais, do movimento sindical com um todo. Se a gente tiver a capacidade crítica de compreender as mudanças em curso, fazer um debate político adequado a essa agenda, a gente tem condição de avançar infinitamente mais. Se conseguir renovar e dar continuidade ao governo em curso, pode-se avançar muito mais nas relações de trabalho, nas relações com o Congresso Nacional. Se os trabalhadores participarem do processo eleitoral mais efetivamente, elegendo mais políticos de força na Bahia, aumentando a bancada em prol da classe, a agenda dos trabalhadores pode avançar bastante no Congresso Nacional, arena de luta da classe trabalhadora.
 
O Bancário – As investidas contra os direitos dos trabalhadores cessaram ou foram acirradas com a crise financeira internacional?
 
MV – As investidas cresceram substancialmente. A gente tem dados fornecidos pelo Ipea de que as investidas não são produtos da crise, mas sim, de uma espécie de prevenção dos empresários, que, com a crise, se aproveitaram para demitir, diminuir a jornada de trabalho e os salários e precarizar mais ainda as relações de trabalho. Dados comprovam que os lucros obtidos pelos empresários não últimos sete anos são tão grandes que eles poderiam pagar os salários dos próximos 10 anos sem nenhum problema, com reajuste, tudo direitinho.
 
O Bancário – Quais as matérias de interesse dos trabalhadores no Congresso atualmente? Em quais os trabalhadores correm riscos?
 
MV – Os trabalhadores com risco com a manutenção do fator previdenciário, que é um redutor da aposentadoria, com a terceirização, que é um modelo de relação trabalhista que dificulta o trabalhador de se aposentar, além de ser muito precária, praticamente sem direitos. São riscos concretos que os trabalhadores precisam intervir no Congresso e apresentar propostas para mudar.
 

Agenda Positiva
1 – Redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário, que prevê a geração de 2,2 milhões de novos empregos no país.
2 – PL 3.299/08, que extingue o fator previdenciário, grande redutor da aposentadoria.
3 – PL 1/07, relativo ao salário mínimo e à valorização do piso.
4 – PEC 438/01, contra o trabalho escravo.
5 – PDC 795/08, relativa à negociação coletiva no serviço público – Convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho)
6 – PL 4.302/98, contra a terceirização. Pede o arquivamento do projeto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
7 – Convenção 158 da OIT, contra a demissão imotivada.
8 – PL 142/03, que revoga o dispositivo que não exige vínculo empregatício.
 

Outros itens
PLS (Projeto de Lei do Senado) 248/06 – que regulamenta a taxa assistencial, uma das soluções para sustentação do funcionamento dos sindicatos.
PLS 177/07 – que prevê a estabilidade dos dirigentes sindicais