Entrevista

O papel classista da CTB

Postado dia: 31/07/2009 - 10:07

Fundada em março de 2008, a seção Bahia da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) tem mais de 300 entidades sindicais filiadas. A Central se destaca também no cenário local, participando de todas as mobilizações do movimento social. Em entrevista ao jornal O Bancário, o presidente da CTB Bahia, Adilson Araújo, fala do 2º Encontro Estadual que começa nesta sexta-feira (31/7), em Salvador, e dos planos da central.
 
O Bancário - Quais são as perspectivas para o encontro Estadual da CTB?
Adilson Araújo - A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) na Bahia vai realizar o seu 2º Encontro Estadual nos dias 31 de julho e 1º de agosto, no Centro de Convenções, em Salvador. A nossa expectativa é reunir cerca de 600 delegados de todo o estado. É um momento impar, onde o sindicalismo classista pretende aproveitar o novo estágio da política para realizar um grandioso debate sobre conjuntura política estadual e nacional, fazer um balanço sobre as atividades da CTB no estado e, sobretudo aproveitar esta união para promover e patrocinar uma verdadeira efervescência na política baiana, na qual a CTB terá como fator determinante elevar o protagonismo da classe trabalhadora, permitindo diante da sociedade um debate sobre a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento nacional que tenha como centro a valorização do trabalho e do trabalhador.
 
O Bancário - Qual a representatividade dos sindicatos do interior na CTB?
Adilson - A CTB hoje, tanto formalmente quanto numericamente, reúne a maioria dos sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras do estado da Bahia. Evidentemente que, considerando que nós dirigimos a Fetag (Federação dos Trabalhadores em Agricultura), os trabalhadores rurais têm um peso importante, um espaço de destaque na CTB. Nós acreditamos que o nosso Encontro vai reunir cerca de 300 entidades sindicais. A nossa meta é reunir estes delegados e eleger a maior delegação para o Congresso nacional da CTB. A Bahia tem o compromisso de levar para o Congresso Nacional da CTB, em São Paulo, 300 delegados e delegadas.
 
O Bancário - Quais os segmentos dos sindicatos filiados à CTB na Bahia?
Adilson - Na nossa base, temos cerca de 200 sindicatos de trabalhadores rurais, portanto somos uma força protagonista neste setor. Por outro lado, reunimos à frente da CTB as entidades mais representativas do movimento sindical baiano. Reunimos bancários, operários da construção civil, comerciários, trabalhadores indústria metal mecânico, trabalhadores do setor da alimentação, da educação, médicos, da saúde, enfim, um leque de entidades que cumprem um papel estratégico no ponto de vista da organização, da influência social e da intervenção política. Evidentemente que se considerar que a CTB reúne as entidades principais da organização dos rumos de atividades, isto coloca para a CTB uma responsabilidade muito grande.
 
O Bancário - Quais os fóruns em que a CTB está presente?
Adilson - A CTB é uma central sindical de trabalhadores e trabalhadoras. Considerando que o nosso papel fundamentalmente é representar a classe trabalhadora nós procuramos ampliar. Hoje, além dos sindicatos e federações de trabalhadores, nós estamos realizando um trabalho junto à colônias de pescadores. Neste segmento temos a perspectiva de atuar não apenas no sindicalismo nacional, mas fazer uma intervenção mais ampla, fazendo parte de um debate a nível mundial.
A CTB tem ainda acento em diversos Conselhos municipais e estaduais. Evidente que ao participar destes Conselhos levamos as bandeiras dos trabalhadores para estes fóruns
 
O Bancário - Quais as principais bandeiras da CTB?
Adilson - Hoje, nós estamos trabalhando com a perspectiva de apresentar para os trabalhadores uma plataforma classista de luta. Nós apostamos na construção de uma central que permitisse a pavimentação de uma nova estrada, de um sindicalismo voltado a ser uma referência política, que responde às demandas da classe trabalhadora e efetivamente busca o diálogo, o entendimento, mas sem perder a perspectiva da luta, do rompimento com o sistema capitalista este sistema opressor.
Para nós é primordial levantar a bandeira da redução de jornada sem redução de trabalho, da valorização do servidor público, da universalização dos serviços públicos, do fortalecimento do SUS (Serviço Único de Saúde), da geração de emprego e renda, da garantia de emprego para a juventude. Nós acreditamos também que é imprescindível ter mecanismo que reserva da condição dos trabalhadores terem condições de se organizar, portanto é preciso ratificar a Convenção 151 da OIT, que garante a negociação, o direito de greve no serviço público, ter ratificada a Convenção 158 e o fim do fator previdenciário. Estas são bandeiras que fazem parte da agenda da CTB.