Entrevista

Pior do que o neoliberalismo

Postado dia: 01/07/2019 - 09:51

Indignado, como toda a sociedade, com o nível de promiscuidade nas relações entre procuradores federais e juízes, reveladas no escândalo da Lava Jato, sem falar no avião presidencial com 39 quilos de cocaína, o economista e professor Davidson Magalhães fala, com exclusividade para O Bancário, sobre a delicada realidade brasileira.

Ex-vereador e deputado federal pelo PCdoB, hoje secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, ele diz que Bolsonaro representa um projeto político pior do que o neoliberalismo.

O Bancário - O ocaso de Bolsonaro significa a superação ao projeto neoliberal?
Davidson Magalhães - O projeto de Bolsonaro não é neoliberal, é pior do que isso. É um projeto de extrema direita, de cerceamento das liberdades democráticas, do desmonte completo das políticas públicas, inclusive aquelas compensatórias que existiam no modelo neoliberal. Portanto, do ponto de vista político é ultraliberal, um desmonte completo. Um governo despreparado, desastrado, desqualificado, completamente reacionário, com costumes obscuros, anticivilizatórios, antidemocrático e entreguista.
 
O Bancário - Este é o momento do Fora Bolsonaro?
Davidson Magalhães - É o momento de preparar o povo brasileiro para desmontar as políticas de Bolsonaro. Isolá-lo politicamente e crescer a mobilização popular. O que devemos fazer é a mobilização contra sua agenda e contra sua tentativa de mudar o regime democrático no Brasil para um regime autoritário. Este é o centro da luta. Se acumularmos força suficiente para substituí-lo é o melhor dos rumos.

 

O Bancário - As crescentes manifestações em defesa da educação e da Previdência pública podem ajudar a tirar a oposição do imobilismo?
Davidson Magalhães - O termo imobilismo não cabe. Primeiro porque a eleição foi muito parelha, perdemos, mas tivemos uma grande votação. O centro e a esquerda conseguiram fazer, na reta final, um grande movimento. E só não foi maior por conta da ingerência da turma da toga, especialmente da Lava-Jato no processo eleitoral e da grande mídia. Fora a compra de fake news, robôs e a interferência do capital ilegal no processo eleitoral. A oposição não está nas cordas e o momento ajuda muito na retomada da mobilização ampla contra o governo.
 
O Bancário - Qual o objetivo principal hoje da oposição, da resistência democrática?
Davidson Magalhães Derrotar o neofascismo. Temos um conjunto de batalhas, da reforma da Previdência, manutenção das universidades públicas gratuitas e de qualidade. Mas, o centro da batalha é garantir a ampliação de todos os setores que, mesmo não sendo de esquerda, de centro-esquerda, se preocupam com a vida do povo brasileiro, com o futuro do país, com a educação. Todos aqueles que se preocupam com o Brasil, com a democracia, devem se unir na luta contra esse governo neofascista.