Entrevista

O 8 de Março será de resistência

Postado dia: 07/03/2019 - 17:04

A união das mulheres para defender a igualdade de direitos nunca foi tão importante, quanto no momento político vivido no Brasil. Que tem um presidente assumidamente machista e  que tem ameaçado as conquistas das mulheres no país. Nesta entrevista, a diretora de Gênero da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Grassa Felizola, fala da importância do movimento de resistência das mulheres e também dos projetos para as bancárias em 2019. 
 
Quais as principais bandeiras que o movimento das mulheres levará para as ruas do país neste  8 de Março?

Grassa Felizola  - A principal bandeira que levaremos pra rua é a da resistência, isso é muito claro. Levaremos  também a bandeira do combate à violência. Abaixo a violência, porque o feminicídio está com crescendo muito em nosso país. Precisamos combater isso e mostrar nas ruas que lugar de mulher é na política. Somos protagonistas de uma história que precisa ser colocada de maneira igual. Não podemos mais aceitar enfrentar as desigualdades de acesso ao poder  na política e no mercado de trabalho. 
 
Quais os principais desafios para as mulheres trabalhadoras neste momento de crise?

Grassa Felizola - Podemos notar que um dos grandes desafios das mulheres neste momento de crise é resistir. Nós tivemos uma participação muito grande usando o tema “Ele não” na campanha eleitoral. Nós mulheres tivemos um protagonismo diferenciando na política, na eleição do ano passado, quando levantávamos a bandeira de que “Ele não”. Com isso, ganhamos as ruas. Não tivemos a vitória, mas pudemos marcar que nós mulheres tivemos força para mostrar que era um erro voltar em um fascista. Estamos vendo a prova de que colocar um fascista na direção do nosso país é um prejuízo muito grande. Temos as reformas, e ele, na revolta imensa contra as mulheres, como se não fosse filho de uma mulher, começa a agredir as mulheres de maneira propositiva, tirando os direitos das mulheres e mantendo uma desigualdade entre homens e mulheres no âmbito do trabalho. 

Por tanto, é nosso dever como trabalhadoras ir as ruas resistir a este governo fascista, levantando a bandeira de que precisamos de liberdade. Precisamos manter os nossos direitos e ampliar nas instâncias de decisões, com igualdade social e com liberdade de expressão. É isso que queremos. É isso que precisamos para sobreviver a esta crise. Precisamos ter uma participação direta nas instâncias de decisões. Nós trabalhadoras precisamos de igualdade, de mais espaço no poder. É isso que estamos fazendo enquanto núcleos organizados, para que possamos participar das lutas pela resistência.  Se fere minha existência, serei resistência. 
 
Quais os desafios específicos do setor bancário? Há igualdade de oportunidades para a ascensão profissional nos bancos? 

Grassa Felizola - Sabemos que dentro dos bancos existe o assédio moral mais acentuado nas mulheres, quando também passamos pelo assédio muitas vezes sexual. Mas, precisamos estar unidas. A Diretoria de Gênero da Feebbase tem debatido muito essa questão. Fizemos dois encontros estaduais com presenças importantes, como a da então senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) e da deputada federal Alice Portugal. É muito importante, para que as bancárias possam ver e descutir quais são as suas necessidades e buscar ampliar os seus direitos dentro do campo do trabalho. Precisamos ampliar os nossos direitos dentro dos sindicatos, buscando ser também protagonistas da história. Não podemos ficar sendo coadjuvantes e tendo sub-cargos nas direções dos sindicatos. Lutamos para participar das decisões. Sejamos nós, linha de frente dos sindicatos. Para a gente avaliar, nos nossos sindicatos, apesar de haver homens feministas, que estão também lutando conosco, temos na nossa Federação, duas mulheres como presidente de sindicato, que são de Sergipe e Feira de Santana. Isso para a gente não basta, diante de 13 sindicatos. Queremos igualdade de direitos. Para isso, precisamos estar unidas. Não queremos guerra de sexo, queremos simplesmente espaço nas decisões. Dentro dos bancos, precisamos buscar o nosso espaço também. Sabemos que as mulheres não tem as mesmas oportunidades que os homens. É isso que precisamos buscar, aliadas aos departamentos de gênero dos sindicatos, esclarecendo às bancárias os seus direitos. Isto é muito importante.

Quais os projetos da Diretoria de Gênero para 2019?

Grassa Felizola - Estamos organizando o terceiro Encontro Estadual de Mulheres Bancárias, que acontecerá no início do segundo semestre, para que possamos discutir este novo governo, quais as diretrizes vamos tomar, quais bandeiras levantar e quais são as discussões que vamos travar para a classe bancária e principalmente para as mulheres. Vamos participar ativamente do 8 de Março, por isso convocamos toda as bancárias para nas suas regiões, participarem desta data importante. Neste ano também comemoramos 88 anos do voto feminino que foi celebrado no dia 24 de fevereiro. Precisamos nos apoderar destes avanços para contribuir com uma política social mais elevada. As mulheres devem ser uma participação ativa, e as bancárias este ano estarão com estes dois projetos. Estamos em parceria com o Prêmio Alice Botas, puxado pelo Sindicato dos Bancários da Bahia, que temos uma participação conjunta e mais uma vez homenagearemos oito mulheres com o troféu Alice Botas, que foi a primeira mulher diretora do Sindicato dos Bancários da Bahia. Queremos realizar a entrega do troféu em outras cidades e sindicatos e até 2020 em toda as cidades e sindicatos. 

Como as bancárias podem contribuir com a defesa dos direitos das mulheres em geral?

Grassa Felizola -  A luta é ampla e precisamos ter sororidade, uma com as outras. Tivemos em Camaçari a Eva Luana torturada e abusada pelo seu padrasto durante oito anos e nós precisamos nos unir para esclarecer e punir o agressores. Não podemos deixar a impunidade reinar. Estaremos também na campanha de combate à violência Respeite as Mina.