Artigo

Migração e justiça social

Postado dia: 09/02/2020 - 00:00

As migrações são fenômenos antigos e naturais dos seres humanos. Atualmente cerca de 300 milhões da população mundial é migrante. As crises econômicas, desigualdades sociais, pobreza, guerras fazem com que as pessoas busquem uma vida mais digna e até mesmo a sua própria sobrevivência. Assim acontece os fluxos migratórios.


Alguns países com governantes autoritários, como Israel e Estados Unidos e o Brasil, se colocam na contramão dos diretos humanos e rejeitam até mesmo o Pacto Global para a Migração Segura, ordenada e regular, aprovado na ONU-Organização da Nações Unidas no final de 2018 que prevê um tratamento humanizado a esse segmento. 

 

Segundo matéria publicada no Portal BBC Brasil de 09/02/2020, desde outubro de 2019 já foram 3 aviões deportando brasileiros que estavam nos Estados Unidos. O último chegou no Aeroporto de Confins em Minas Gerais, sexta feira dia 07/02/2020, trazendo 130 pessoas. 


As histórias relatadas mostram o caráter xenofóbico e de atentado aos mais elementares direitos humanos. Segundo a reportagem da BBC, os brasileiros ficaram detidos por vinte dias, sem tomar banho há pelo menos 10 dias e sem comer há 12 horas.  “Jogaram nossas roupas fora, viemos com as roupas deles. Nossas carteiras, documentos tudo jogou fora”, ressalta um dos brasileiros.


Lamentável que seres humanos sejam perseguidos e desrespeitados por governos autoritários e que não levam em consideração a dignidade humana. Os Estados Unidos, a maior potência econômica e militar do planeta, têm como marca principal fomentar a guerra no mundo inteiro, sacrificando milhões de vidas das populações. 


O dinheiro gasto pelos Estados Unidos com guerras e armamentos daria para acabar com a fome no mundo, entretanto lá mesmo existe milhões de miseráveis e uma alta concentração de renda e desigualdade social. Calcula-se que em 20 anos os conflitos custaram 6 trilhões de dólares ao país, segundo o jornalista Jamil Chade do UOL.


Vivemos nesse momento em um mundo doente com sérios prejuízos para a humanidade. As pessoas tem o direito de buscar uma vida digna em qualquer lugar do planeta. Felizmente existe a esperança e o sonho abraçado por milhões da construção de uma sociedade com paz e justiça social.


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ