Artigo

Riqueza Inativa

Postado dia: 09/01/2020 - 00:00

“Existe uma forma de riqueza que é inativa, pródiga, dedicada ao prazer, cujo favorecido se comporta como indivíduo efêmero, de atividade desenfreada e sem destino, que olha o trabalho servil dos outros, o sangue e o suor humanos, como presa de sua ambição e que considera o próprio homem, portanto, também a si mesmo, como ser sacrificado e supérfluo.”Marx no livro Manuscritos Econômicos e Filosóficos.


No Brasil, vivemos uma ofensiva brutal do neoliberalismo, que implementa uma política altamente nociva aos interesses da sociedade, com um discurso falso de modernização e de mudanças na legislação para gerar emprego e promover o crescimento econômico. Assim ocorreu a Reforma Trabalhista em 2017, que retirou direitos e a reforma da Previdência em 2019, que na prática acaba com a aposentadoria dos mais pobres.

Essas medidas estão sendo implementadas para atender aos interesses do grande capital, do “deus” mercado e tem gerado profundas desigualdades sociais, trabalho precário, e aumento da pobreza, onde milhões de seres humanos passam a ser considerados como objetos descartáveis, supérfluos.


De 2017 a 2019 a taxa de desemprego se manteve em 12%, cerca de 12,5 milhões de desempregados, não houve os dois milhões de empregos anunciados pelo governo Temer como argumento para alterar 117 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho, retirando diretos dos trabalhadores e o mais grave, o trabalho precário aumentou de forma considerável.


A reforma da Previdência do governo Bolsonaro agrava a situação, o trabalhador pobre fica praticamente impossibilitado de se aposentar pois precisa ter 65 anos de idade e um tempo de contribuição de 40 anos para ter aposentadoria integral. Diante desse quadro observamos o aumento das desigualdades sociais.


O índice Gini vem crescendo ano a ano, em 2015 era 0,524, já em 2018 passou para 0,545, quanto maior o índice, maior a desigualdade social. O número de pessoas na extrema pobreza já atinge 13,5 milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 1% dos brasileiros mais ricos teve aumento real de 8,4% e os 5 % mais pobres uma queda de 3,2%, no ano de 2018.


Encerramos 2019 diante de um brutal retrocesso social, mas com a esperança de que mais cedo ou mais tarde a riqueza produzida pela sociedade não será inativa mas sim revertida para toda a população.

*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ.