Artigo

Invisíveis não, invisibilizados

Postado dia: 19/11/2019 - 00:00

Um dia em uma reunião com o movimento de moradores em situação de rua ao falar que esse segmento é invisível, um dos participantes argumentou, ‘invisível não, invisibilizado’. Compreendi o sentido da argumentação. Na minha leitura ele quis dizer que a população em situação de rua existe, é visível, tem potencial, entretanto a elite insiste em invisibilizá-la e maltratá-la. 


De fato, o que observamos na nossa sociedade, é o total descaso para com os excluídos, os desempregados, os pobres de uma maneira geral. A população em situação de rua é vítima cotidiana de preconceito, discriminação, violência e até assassinatos como a chacina que ocorreu em São Paulo, em agosto de 2004, onde 14 moradores em situação de rua foram espancados, resultando em sete mortos.


No dia 16/11/19, mais uma notícia triste que reflete o descaso das elites com os mais necessitados. 4 moradores em situação de rua morreram após ingerirem uma determinada bebida oferecida por um desconhecido. As formas de tentativa de extermínio desse segmento são variadas.


Em 1997, o índio Galdino que dormia em um ponto de ônibus em Brasília, foi queimado vivo,  por jovens da capital federal,  agora os moradores em situação de rua em Barueri foram ao que tudo indica, envenenados, e assim acontece a escalada de violência contra uma população que deveria receber o suporte e apoio do estado e da sociedade. 

 

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 17.386 casos de violência contra moradores em situação de rua de 2015 a 2017. Os casos de violência vão desde espancamentos até assassinatos além do racismo, preconceito e discriminação.


Dados da pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicada em 2016, estima a existência 101 mil moradores em situação de rua no Brasil em 2015. Claro que esses números podem variar em função da metodologia aplicada e da situação política e econômica do país.


O provável envenenamento dos moradores em situação de rua em Barueri na grande São Paulo, é mais um sinal de intolerância e tentativa de extermínio dos considerados indesejáveis por segmentos das elites. É preciso cada vez mais lutar contra a escalada de violência e o desrespeito aos mais elementares direitos humanos. 


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ