Artigo

Reencontro com a democracia

Postado dia: 18/11/2019 - 00:00

A grande participação popular no Festival Lula Livre, no Recife, deixa claro que a conjuntura política começa a mudar mais rápido do que se imaginava com a libertação do ex-presidente. Ele promete percorrer todo o Brasil, a começar pelo Nordeste, região considerada atualmente como o maior pólo nacional de resistência ao neofascismo e defesa da democracia.


Claro, também não se pode pensar que, de uma hora para outra, como em um toque de mágica, a realidade vá mudar imediata e radicalmente. Nada disso. O importante é que a volta de Lula à vida política estabelece novos parâmetros, possibilita ressonância, em nível internacional, à luta contra o neofascismo no Brasil, dá tenência às forças progressistas.


Pouco importa, por enquanto, se ele está inelegível. Até porque, neste momento o essencial é fortalecer, de todas as formas, a resistência democrática, ampliar o leque de alianças contra o neofascismo, reanimar os movimentos sociais, reconquistar a confiança do povo, intensificar a mobilização popular e levar multidões às ruas. Como aconteceu domingo, em Recife. E nisso Lula é um fenômeno. Não em vão é tão perseguido pelas elites.


O Lula livre não encerra em si. Pelo contrário. Muito mais difícil do que a conquista da libertação do ex-presidente será a nova etapa da luta a ser travada, a partir de agora, contra o obscurantismo ultraliberal. Com a oposição reforçada, o neofascismo, materializado no governo Bolsonaro, vai atacar impiedosamente, para tentar conter o avanço oposicionista. Vai agredir política e institucionalmente, a exemplo da busca insana para fazer Lula voltar à prisão, entre outras medidas que consolidem o Estado policial.


Resumindo, a extrema direita vai usar todo o poder que tem, especialmente na burocracia estatal, pois na preferência popular vem despencando aceleradamente, para potencializar o arbítrio, impor medidas de exceção, no desespero para querer sufocar o renascimento do Estado democrático de direito, que ganha novo alento com Lula livre.


Se o STF fizer o papel que lhe cabe, de guardião da Constituição, salvaguarda da vida democrática, impedindo novas arbitrariedades e excepcionalidades, inclusive para compensar omissões em passado recente, já será uma grande contribuição para tirar o Brasil das trevas. Sem novas manipulações das leis e com Lula livre para fazer política, a sociedade brasileira adquire plenas condições para fazer as pazes com a democracia, respeitar a vontade popular, superar a crise econômica e reencontrar o caminho para a retomada do desenvolvimento com direitos e liberdades.


* Rogaciano Medeiros é jornalista, integrante do Movimento Comunicação pela Democracia