Artigo

O paraíso neoliberal desmorona

Postado dia: 01/11/2019 - 00:00

Álvaro Gomes*


As manifestações recentes no Chile que reuniram milhões de pessoas, coloca em xeque o modelo neoliberal, considerado como exemplo a ser seguido pelo Brasil, onde o comando da economia está entregue a um dos colaboradores do governo do ditador Pinochet, na década de 80, o ministro Paulo Guedes. 


No governo de Salvador Allende, entre 1970 e 1973, o país alcançou praticam ente o pleno emprego, chegando a uma taxa de desemprego em 1972 a 2,5% e consequentemente uma melhor distribuição de renda.  Com a ditadura de Pinochet, além dos assassinatos e torturas que atingiram milhares de chilenos, o índice de desemprego e a inflação se mantiveram bastante elevados.


O crescimento econômico na era Pinochet de 73 a 1990 foi em média de 1,6% segundo matéria do site    https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46796445, após o fim da ditadura, de 1990 a 2007 foi de 4,36%.  Não resta dúvida que o chile cresceu economicamente, porém o aumento do Produto Interno Bruto, não se reverteu em benefício para a sociedade.  O Chile é um dos países mais desiguais do mundo.


Segundo reportagem do globo de 22/10/19, utilizando estudo da ONU- Organização das Nações Unidas, a concentração de renda no Chile chega a tal ponto que, 0,1% dos mais ricos concentram 19,5% da renda do país, 1% detém 33 % e os 5 % mais ricos 51,5 % da renda.


O fim da previdência pública, fez com que o suicídio entre aposentados aumentasse consideravelmente, de 2010 a 2015 foram 936 entre idosos maiores de 70 anos, a taxa de suicídio de maiores de 80 anos chegou a ser de 17,7/100.000, segundo revista Fórum de 12/04/19. Mais da metade dos aposentados ganham menos que o salário mínimo, a saúde é extremamente precária para cerca de 80% da população e o desemprego continua alto em torno de 7%.

 
Diante de tanta injustiça, população chilena foi a luta com milhões de pessoas nas ruas exigindo melhor distribuição de renda e melhores condições de vida, o paraíso neoliberal desmoronou, foi um verdadeiro sucesso para uma pequena elite e um desastre social repudiado pela população que resiste e diz não ao neoliberalismo.


Para os que acham que os protestos são violentos, o cartaz na manifestação responde com clareza “ La Desigualdad Social es Más violento que qualquer protesta”, e assim as multidões buscam a paz com justiça social.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ