Artigo

Agatha assassinada: retrato da barbárie

Postado dia: 22/09/2019 - 00:00

Álvaro Gomes*


O Brasil vive momentos de terror e a barbárie se naturalizando diante de uma política de segurança pública que incentiva o extermínio de pessoas, atingindo as populações carentes principalmente pobres, negros e até crianças. A polícia militar tem responsabilidade, mas os mandantes e principais responsáveis são o presidente da república e no caso da situação do Rio de Janeiro o governador Witzel.


A polícia do Rio de Janeiro, assassinou 1249 pessoas, nos 8 meses desse ano de 2019, sendo 5 crianças, entre as quais a menina de 08 anos Ágatha Vitória. Em entrevista ao Fantástico do dia 22/09/19, o avô da criança indignado falou “Mais um na estatística, vai chegar amanhã, morreu uma criança no confronto, que confronto? A minha neta tava armada, por acaso pra poder levar um tiro?”


De fato, a versão do porta voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro Mauro Fliess foi de que houve confronto: “A Polícia Militar reforça a versão apresentada pelos policiais militares de que foram atacados de forma simultânea por marginais daquela localidade”. O motorista da Kombi que transportava Agatha, falou indignado “Não houve confronto, não houve tiroteio nenhum, foi dois disparos que ele deu, falou que foi tiroteio, é mentira, é mentira”.


O governador Witzel não respeita a Constituição, nem os direitos humanos,  autoriza metralhar áreas onde moram os pobres, determina abater aqueles que estejam portando armas, onde podem ser abatidas pessoas que sequer estão armadas, como aconteceu com o jovem de 26 anos, Rodrigo Alexandre que portava um guarda-chuva e foi assassinado pela Policia Militar em 17/09/18 na favela Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro. 


O resultado dessa política de extermínio de pobres é desastroso para a sociedade, as consequências são imprevisíveis. O assassinato de crianças é o retrato da barbárie, cujos principais responsáveis estão no Palácio do Planalto e no Palácio Guanabara.  Até quando vamos suportar essa situação?


A luta pela paz com justiça social está colocada na ordem do dia. Urge que os segmentos da sociedade que defendem a democracia, a vida e os direitos humanos reajam imediatamente sob pena do avanço do fascismo com o aplauso de parte da população alimentada por uma elite machista, racista, misógina e “pobrefóbica”.  


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ