Artigo

A Barbárie nos Presídios

Postado dia: 07/08/2019 - 00:00

Álvaro Gomes*


Dia 29/07/19, no Centro de Recuperação Regional do município de Altamira no estado do Pará, onde em 163 vagas estavam 343 presos, ocorreu o segundo maior massacre em presídios segundo a revista Isto É nº 2588 de 02-08-19.  O primeiro foi o da Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, em 1992, quando a PM fuzilou 111 presos.


Pelo noticiário da grande imprensa o confronto foi entre os presos da facção Comando Classe A (CCA), e o Comando Vermelho (CV), resultando em 58 mortos entre os quais 16 decapitados e posteriormente na transferência de 30 líderes da rebelião para Belém, mais 4 foram assassinados, somando 62 ao total.


Este triste episódio, mostra a situação degradante dos presídios no nosso país. O Centro de Recuperação Regional de Altamira em contradição ao seu próprio nome, passou a ser palco de extermínio de seres humanos, da forma mais cruel possível. 


Este episódio agrava a situação de violência na medida em que quem deveria buscar a construção da paz e o respeito ao estado democrático de direito, que é o presidente da República, ao ser questionado sobre o massacre responde:    "Pergunta para as vítimas dos que morreram lá o que eles acham. Depois que eles responderem, eu respondo a vocês".


Ainda segundo a revista Isto É, no 2588, cerca de 150 presos foram assassinados em presídios brasileiros desde que Jair Bolsonaro assumiu. Nos últimos três anos, foram “219 presidiários chacinados no interior das cadeias, sob o olhar negligente das autoridades”.


A degradação nos presídios tem reflexo fora deles, porque os que ali estão , são parte da sociedade. Os mais de 700 mil presos espalhados pelo Brasil, onde mais de 40 % são presos provisórios, são colocados numa situação onde torna-se difícil a recuperação, e a política de encarceramento em massa vai construindo uma sociedade cada vez mais doente.


Não por acaso estamos vivendo um momento de agravamento da desagregação social inclusive com consequências para a saúde mental das pessoas. O clima de ódio de violência espalhado por setores doentios da sociedade tende a aumentar o mal-estar social a curto, médio e longo prazo.


Ou os setores democráticos se unem para lutar por justiça social e pela construção da paz ou teremos a barbárie cada vez mais se consolidando e se naturalizando. 


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ