Artigo

A pesquisa censurada

Postado dia: 06/06/2019 - 00:00

Álvaro Gomes*

A cada dia que passa aumenta os absurdos do governo federal, que não tem nenhum compromisso com a educação, com a ciência, com a democracia, com os diretos sociais, com a dignidade humana e com o desenvolvimento do nosso país.

O 3º levantamento Nacional Sobre o Uso de Drogas Pela População Brasileira, pesquisa realizada pela Fundação Osvaldo Cruz – FIOCRUZ, a partir do edital lançado em 2014, pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas - SENAD, órgão ligado ao Ministério da Justiça, foi censurado.

O Ministro da Cidadania, Osmar Terra defende que o número de dependentes do crack é alto e se caracteriza como uma epidemia, contrariando os estudos científicos da FIOCRUZ, que reuniu 500 profissionais e pesquisou 16.273 pessoas em351 cidades. A coordenadora do Centro de Referência Sobre Drogas da UnB, Andrea Gallass, afirma que não vivemos uma epidemia de uso de drogas e que “não existe razão, a não ser uma razão ideológica do governo em negar a divulgação desses dados”.

Os dados da pesquisa divulgados pelo pagina, https://theintercept.com/2019/03/31/estudo-drogas-censura/, aponta que o 66,4% da população  consumiu álcool alguma vez na vida e que   0,9 % usou crack. O consumo de drogas ilícitas chega a 9,9%.

O preocupante é que enquanto o governo reduz verbas para educação e para programas sociais, fortalece as comunidades terapêuticas, cujo número de leitos aumentou de 2 mil em 2017 para 10 mil e oitocentos em 2019 com investimento de R$ 153 milhões, em detrimento dos CAPS- Centros de Atendimento Psicossocial.

Existem cerca de 2 mil comunidades terapêuticas que geralmente são das igrejas evangélicas e católicas, no geral utilizam o isolamento, trabalho braçal, atividades religiosas e existem muitas denúncias de maus tratos, cárcere privado entre outros crimes.

A censura do governo federal a pesquisa foi condenada pela  Abrasco -Associação Brasileira de Saúde Coletiva e pela Sociedade Brasileira para o  Progresso da Ciência- SBPC que em nota publicado no pagina http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/sbpc-divulga-nota-de-apoio-a-fiocruz/, afirma que essa medida “ caracteriza uma atitude contrária à boa prática científica e pode sugerir, inclusive, a presença de conflitos de interesse”.

* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ