Artigo

Degradação social e incentivo ao extermínio

Postado dia: 14/05/2019 - 00:00

Álvaro Gomes*

O Brasil passa por uma profunda crise, que vai além do simples esgotamento do modelo neoliberal. Passamos por um momento de profunda degradação social e ao mesmo tempo um grande incentivo ao extermínio de pobres e aniquilamento daqueles que pensam diferente.

O brutal e covarde assassinato do morador em situação de rua Sebastião Lopes, no sábado dia 11/05/19, em São Paulo, com cinco tiros disparados das mãos criminosas de um homem que estava em um carro de luxo,  mostra,  como ressalta o sociólogo Jessé Souza, o ódio da elite à população pobre desse país e a mente doentia de parte da sociedade, que se não houver uma mudança em direção ao respeito ao ser humano, caminha para o abismo, onde todos estão incluídos inclusive os mais ricos.

O decreto nº 9.785, de 7 de maio de 2019, do governo federal, que dispõe sobre a posse de armas de fogo, armando boa parte da população, agrava a situação e significa um verdadeiro retrocesso e uma ameaça assustadora às camadas mais pobres do nosso país, onde a violência tende a aumentar pois estimula os homicídios, feminicídios, suicídios e a desagregação social.
Essa medida servirá para armar as milícias, e os grupos de doentes que imaginam que o extermínio de pessoas principalmente das camadas mais pobres, vai resolver a situação do nosso Brasil. Tendo no comando do nosso país um presidente , cujo símbolo de campanha foi "arminha com a mão" para simbolizar uma metralhadora, podemos ter a dimensão da degradação social que alcançamos, onde os problemas sociais só tem agravado e o nosso país caminhando para a desagregação social.

Não há nenhuma possibilidade de vivermos numa sociedade harmônica se não for implementada uma política de justiça social, infelizmente o que está em pauta é exatamente o contrário, reforma da previdência que significa na prática fim da aposentadoria dos pobres, extinção dos direitos trabalhistas, perseguição a democracia e aos movimentos sociais e incentivo a violência. 

Urge uma reação popular em defesa dos direitos humanos e da democracia, princípios básicos para avançarmos no desenvolvimento com distribuição de renda e redução das desigualdades e assim construirmos a paz que todos desejam.

*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ