Artigo

Em defesa dos bancos públicos

Postado dia: 04/02/2019 - 00:00

Os bancos públicos sempre contribuíram com o desenvolvimento do nosso país. São instrumentos importantes para fomentar a atividade econômica, o desenvolvimento regional, a inclusão bancária, e até enfrentar crise internacional, como a de 2008 quando o sistema financeiro estatal ofertou crédito, quando houve forte restrição dos bancos privados, e o Brasil superou quase que incólume aquele período.

Os bancários sempre desenvolveram lutas e campanhas em defesa dessas instituições, em muitos momentos ameaçadas de privatização. No período de ofensiva neoliberal, no governo de FHC, de 1995 a 2002, observamos o desmonte dos bancos com redução do papel na sociedade e atingindo em cheio o funcionalismo. Nesse período, o número de empregados do Banco do Brasil caiu de 119 mil para 78 mil, a Caixa, de 76 mil para 53 mil, e o Banco do Nordeste, de 6 mil para 3 mil.

Entre 2003 e 2011, depois das políticas dos governos Lula/Dilma, o número de funcionários voltou a crescer. O BB saiu de 78 mil para 113 mil, a CEF de 53 mil para 85 mil, chegando a 101 mil em 2014, e o BNB de 3 mil para 7 mil.

No que diz respeito ao reajuste salarial de 1995 a 2003, a perda real foi de 36,3% no BB, 40% na CEF e 41,45% no BNB. De 2004 a 2014, o ganho real foi de 21,3 % no BB e na CEF e 22,38 % no BNB.

Mais um dado importante também é que entre 2002 a 2013 os ativos do Banco do Brasil cresceram de R$ 382 bilhões para R$ 1,2 trilhão, e as agências aumentaram de 3.165 para 5.451 no Brasil.

Hoje, os bancos públicos sofrem novas ameaças de desmonte. Basta ver que de 2016 a 2018 já foram demitidos mais de 20 mil funcionários. Vamos enfrentar mais um período de ofensiva do capital que tem como objetivo desestruturar estas instituições com sérios prejuízos para a sociedade e o funcionalismo que se contrapõe lutando  por melhores salários e condições de trabalho.

Precisamos cada vez mais defender os bancos públicos como instrumento importante para o desenvolvimento do nosso país e para melhorar a vidas das pessoas principalmente daquelas que mais precisam. 

*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ