Artigo

Salvação e libertação 

Postado dia: 24/09/2018 - 00:00

O quadro eleitoral reafirma o delicado momento político que o Brasil atravessa, resultado do golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016. A ruptura institucional provocou anarquia, caos e as conseqüências, nessas situações, geralmente tendem a prejudicar ainda mais os setores populares, os trabalhadores.

A excepcionalidade adotada ao se impor um impeachment sem comprovado crime de responsabilidade quebrou a autoridade, a unidade governativa, destruiu totalmente o espírito republicano. O Estado de exceção prolongado tem permitido que verdadeiros clãs se aproveitem do aparelho estatal para fazer a farra. Dançam o povo e a soberania nacional.

Diante da falência do sistema, da desorganização institucional, da crise econômica, do agravamento das injustiças sociais e do clima de desesperança, a extrema direita, geneticamente violenta, aposta tudo no discurso da luta do bem contra o mal para tentar chegar ao poder. 

É aquele antigo recurso utilizado pelas elites ultraconservadoras ao longo da história brasileira. O moderno amparado no atraso, o novo no velho, o desenvolvimento que enruste o escravismo e o entreguismo, enfim as mesmas oligarquias de sempre. Haddad e Bolsonaro resultam desse processo, na raiz.

De um lado, o candidato que representa uma concepção de vida sustentada na crença de que, apesar de todas as dificuldades, o melhor ainda é seguir as leis com respeito à complexidade humana, a subjetividade e a diversidade. Que acredita na democracia substantiva, comprometida com a superação da pobreza e das desigualdades.

Na outra ponta, a candidatura que prega Estado mínimo para o povo, mas não abre mão de incentivos fiscais e financiamento para as empresas. Que entrega a pobreza ao mercado. Que defende mais repressão, tem pavor à pluralidade, não admite o contraditório e reage violentamente a qualquer organização popular. Que divide o país entre céu e inferno e se coloca como o caminho único da salvação.

Pois é, na eleição do dia 7 de outubro próximo, a nação se depara entre a salvação neofascista, que sempre condenou o povo à pobreza, à ignorância, ou o caminho da libertação, da autodeterminação, do direito de escrever a história de um Brasil brasileiro.

* Rogaciano Medeiros é jornalista