Artigo

A loucura política

Postado dia: 22/08/2018 - 00:00

C. G. Jung, em seu texto Civilização em Mudança, de 1957, dizia que: “Se o Estado de direito sucumbe, por exemplo, a um acesso de fraqueza, a massa pode esmagar a compreensão e reflexão ainda presentes em indivíduos isolados, levando fatalmente a uma tirania autoritária e doutrinária”. Tal ambiente cria um terreno fértil para a proliferação de comportamentos perversos e antissociais até então latentes que eram tolerados pela ordem da razão e da compreensão. Hoje, podemos dizer que no Brasil chegamos próximos a este Estado em muito pouco tempo. Em menos de dois anos. Temer acabou com o país e de quebra está ajudando a ressuscitar insanos com a sua (des)política.

Portanto, não é por mais incrível que pareça, que surgem as bizarrices. Candidatos oportunistas, com um discurso fácil e muitas vezes violento, que se amparam naqueles ou naquilo que supostamente consideram poderosos para exalarem uma força que, no final das contas, pode estar apenas encobrindo as suas prováveis fraquezas. Eles “encarnam” personagens criados por eles próprios por conveniência, medo, falta de propósito ou falta de profundidade... nos quais nem eles mesmos (os criadores) acreditam. Infelizmente, o que se percebe é que para alguns eleitores essa fantasia parece real. E aí, a manifestação do que estava latente em uma parte da população aparece e é potencializada por esses personagens que canalizam o delírio alheio e consolidam a sua farsa.

Esse aspecto não é um fato para ser subestimado. Um Estado negligente, que vira as costas para o seu povo, como é o caso do atual (des)governo, provoca nas pessoas o sentimento de desamparo que pode desencadear o desejo do retorno de algo que já deveria ser superado. A história está cheia de exemplos. A ausência de lucidez aniquila a capacidade crítica. Perde-se a noção do que é retrocesso e do que é o avanço político.

* Elder Fontes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia